sexta-feira, 19 de junho de 2015

Vice-presidente da Associação de Futebol de Évora, Fernando Nunes, pede demissão do atual presidente e faz revelações bombásticas sobre situações da Associação

Os dirigentes da Associação de Futebol de Évora (AFE) continuam sem se entender. A saída do ex-presidente Amaro Camões não resolveu os problemas desta associação, estando neste momento a ser pedida a demissão do atual presidente, António Pereira.

Em entrevista à Rádio Campanário o vice-presidente para a área do Futebol de Formação e Futsal, Fernando Nunes, acusa o atual presidente de “falta de diálogo e de falta de verdade e de tomar decisões unilateralmente”.

A esta Estação Emissora o dirigente associativo diz que depois de ter ouvido as entrevistas de Amaro Camões e de António Pereira, “não tinha outra alternativa senão vir aqui, eles disseram a verdade deles e cabe-me a mim também dizer a minha verdade, só que a diferença é que eu tenho documentos comprovativos”.

Fernando Nunes diz que Amaro Camões “tem toda a razão, nós ameaçamos o senhor Camões e dissemos que também íamos pedir a demissão ou a renúncia, como uma forma de pressão para que ele se demitisse porque os estatutos dizem que após uma demissão nós nunca nos poderíamos recandidatar e o senhor engenheiro Pereira sempre teve a intenção de se candidatar a presidente”.

“Eu tenho as cartas assinadas dos pedidos de renúncia de todos os diretores, esta foi uma forma de pressão da nossa parte para que o senhor Camões saísse, os seis elementos da direção combinaram fazer isso como forma de pressão para que ele saísse mas o senhor Camões é uma pessoa vivida e não foi no engano, mas nesse momento foi a única solução”, refere.

No entanto a saída de Amaro Camões da AFE não melhorou o ambiente vivido na associação com Fernando Nunes a dizer que neste momento está desiludido “com a postura do senhor engenheiro Pereira que antes de tomar posse foi uma pessoa com bom senso fazendo parte das soluções e não dos problemas, após tomar posse tomou decisões unilateralmente à revelia da direção”, exemplificando, “a contratação de Óscar Tojo e a aquisição de 50 bilhetes para o jogo da Seleção Nacional para oferecer às custas dos clubes sem a nossa autorização”.

Nunes diz-se preocupado porque “num momento complicado da associação não se devem fazer estas despesas”, referindo que neste momento apenas dois dirigentes vão à Associação, “o Carlos Cabo que vai lá esporadicamente e o senhor engenheiro Pereira que vai lá diariamente, os outros cinco diretores não vão à AFE, vão apenas às reuniões para não serem demitidos”.

Relativamente às viagens realizadas a Cabo Verde, Fernando Nunes diz que a sua versão é igual à de Amaro Camões, “porque nenhuma das 20 pessoas, 11 da comitiva mais os diretores e esposas, ninguém pagou nada, quem pagou foi a AFE”, discordando apenas que Amaro Camões tenha dito que foram gastos 19 mil euros quando o que foi pago foram duas faturas que totalizam 9500 euros “que ele pagou com a assinatura dele, do engenheiro Pereira e do senhor António Peixe, são as únicas que estão na contabilidade. Ele deve estar equivocado com as despesas que a Associação pagou, o senhor Camões tem razão, ninguém pagou nada”.

Relativamente à Assembleia Geral do dia 10 de outubro de 2014, Fernando Nunes conta que “o presidente da Assembleia, Carlos Almeida passada a meia hora de tolerância mandou fechar a porta do 1º andar e a porta de baixo do rés-do-chão foi o senhor Amaro Camões que a mandou fechar na minha presença”, considerando que houve uma precipitação de Carlos Almeida e a vontade de Amaro Camões para que não estivessem presentes os 22 clubes e a Assembleia não se realizasse.

Mas o vice-presidente para a área do Futebol de Formação e Futsal prossegue com o rol de acusações, “não há verdade na Associação, os diretores não falam olhos nos olhos, o senhor engenheiro disse nesta rádio que só o senhor Camões é que teve culpa, então eu e os outros diretores não tivemos culpa durante 20 anos? Certamente vamos ter muitas culpas".

No entanto refere que Amaro Camões realizou “um ótimo trabalho na AFE, nos últimos dois anos por vontade própria ou por questões de trabalho deixou de aparecer e daí a ter acontecido o que está a acontecer”.

“Esta direção não tem condições para continuar, ou o senhor engenheiro pede a demissão ou então promove rapidamente eleições para que os clubes escolham uma nova equipa com novas ideias porque 20 anos ali são muitos e são criadas muitas situações”.

A compra da nova sede da AFE também foi abordada com Fernando Nunes a dizer que também aqui Amaro Camões teve razão, “aquele prédio estava hipotecado à CGD e foi vendido por 245 mil euros e foi comprado pela Associação pelo mesmo valor, tenho documentos que o comprovam”.

Quando questionado sobre a atual situação financeira da AFE, refere que desconhece que haja nos cofres da associação os 45 mil euros que faltam pagar no momento da assinatura da escritura, “eu tenho conhecimento que as coisas estão muito apertadas em relação às despesas com os árbitros, com os funcionários, com os seguros”, assumindo que há atrasos nos pagamentos, “estamos com dificuldades”.

“Há clubes que são tratados de uma maneira e outros de outra, não há verdade desportiva”.

A finalizar Fernando Nunes desafia os diretores da AFE a desmentir as afirmações que fez à Rádio Campanário, “faço esse convite para que digam o contrário porque já foram feitas aqui várias afirmações sobre o senhor Amaro Camões e ele sempre foi uma pessoa honesta e frontal e o senhor engenheiro Pereira que é uma pessoa por quem tenho, ou tinha, muita amizade, mente”, acrescentando, “saiu Amaro Camões mas os problemas ficaram”.

Ouça a entrevista completa


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